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SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL A essência do trabalho do SOE consiste na articulação das relações interpessoais em diversos níveis da vida escolar: · monitorar os alunos, encaminhados pelos professores ou outros profissionais do colégio, tanto do ponto de vista cognitivo como afetivo;
· promover, em parceria com a Coordenação Pedagógica, a integração família-escola;
· identificar, encaminhar e ajudar os alunos com problemas ou dificuldades de várias naturezas.
Na escola, aprende-se para a vida. Nos dias de hoje, cabe também a escola oferecer ao educando, em todo o tempo, meios que o levem a desenvolver valores e atitudes relevantes ao seu desenvolvimento pleno. Portanto, é importante estar profundamente mergulhado em uma verdadeira intenção, um propósito de ação que inicie uma resolução para este trabalho. Buscando atender e alcançar este propósito, é importante articular os conteúdos pedagógicos, com o Ideário das Irmãs Mercedárias da Caridade. Sendo assim, todo o trabalho realizado durante o ano de 2008, estará atendendo as necessidades do aluno, dos professores e até mesmo da comunidade. Trabalhar com um projeto é fascinante e surpreendente. Fascinante pela capacidade de envolver todo o corpo de professores, funcionários e alunos da instituição. E surpreendente por trazer embutido valores que precisam ser desenvolvidos nos cidadãos do mundo moderno. A Educação Infantil e o 10 segmento do Ensino Fundamental estarão informados a respeito dos temas a serem trabalhados, adotando-os em sua vida e construindo-os no outro. Então, como norteador de todo o trabalho pedagógico, buscando o esforço e a coerência que nos leva à obtenção do êxito, demarcado pelo respeito a tudo que vive, a tudo que existe e a cada um de nós que busca a verdadeira liberdade e baseado também na Campanha da Fraternidade “ Escolhe, pois, a vida”, os valores trabalhados serão: | BIMESTRES | TEMAS | | 10 - fevereiro, março, abril | Justiça | | 20 - maio, junho, julho | Responsabilidade | | 30 - agosto, setembro | Amor / Caridade | | 40 - outubro,novembro,dezembro | Alegria / Paz |
Precisamos de pessoas que vivam a partir de valores como esses, num caminhar profundo, para construírem um mundo melhor, mais justo e com cidadãos que cultivem uma educação plena e de qualidade. Serviço de Orientação Educacional - CNSM
TEXTO – MÊS DE NOVEMBRO/2009 “Os adolescentes de hoje são diferentes?” Com essa pergunta, iniciei uma palestra para pais de adolescentes de uma escola pública, e a resposta não poderia ser outra: a grande maioria, disse que sim. Os pais afirmaram que os jovens são difíceis de lidar, que são protegidos pela lei, que não poderiam dominar a vida deles, e etc. Continuando minha argumentação inicial, perguntei aos pais presentes se no tempo deles, ou quando eram adolescentes, eles não matavam aulas, não jogavam papel na professora, ou até discutiam com ela. Se no tempo deles os adolescentes não aprendiam a fumar, transar, e se voltavam para o grupo. A resposta foi unânime também, é verdade. Então vejamos. Se os jovens, pela sua natureza, são rebeldes, tentam e ás vezes quebram as regras, o que então mudou? A maioria das pessoas presentes disseram que, em sua época, era mais complicado: “Nossos pais eram duros, isso dava problema sério”. Começa a ficar evidente, que na verdade, o que mudou e mudou muito, foram os adultos. Ou seja, os adultos de hoje são muito mais moles do que os adultos de quando éramos adolescentes. Conclusão, os errados somos nós novamente. Agora o discurso da vez, de muitos adultos, é: “Precisamos educar as crianças, os adultos já não tem jeito”. Concordo em parte, mas quem vai educar as crianças? A escola, e a escola é composta por quem? Adultos, certo? Então o problema continua o mesmo. Outra vertente de desculpas é a lei que os protege, amarrando as mãos dos adultos, deixando as crianças com muitos direitos, e os pais, impotentes. A lei sempre existiu, nunca foi permitido espancar crianças. O que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fez foi resumir, ou organizar, uma série de leis já existentes para acabar com a violência, a exploração de crianças e adolescentes. É verdade, não acabou, e deixou a sensação de mãos atadas para os adultos, que têm a responsabilidade de preparar a próxima geração. É uma lei que precisa ser revista, esclarecida e, principalmente, melhor entendida. Mas a lei não tirou a responsabilidade dos pais em educar, estabelecer limites, disciplina e organizar a vida dos filhos. A lei também não tirou a autoridade do professor ou do diretor. Quem passou a não se dar o respeito foram os adultos. Nos diversos papéis que exercemos na sociedade, não percebemos que o principal é o de preparar a próxima geração. E, se ela for pior do que a que vivenciamos, a culpa será nossa, que não demos as condições para que os jovens se tornassem adultos saudáveis e responsáveis. Professor Ademar Batista Pereira é professor e presidente do Instituto Educa Brasil
TEXTO – MÊS DE OUTUBRO/2009 “O valor da auto-estima” Psicólogos são unânimes em afirmar que a baixa auto-estima faz as crianças desenvolverem sérios problemas comportamentais no decorrer da vida. Uma de suas conseqüências é o retraimento excessivo, que leva a dificuldades no relacionamento social, até mesmo com a família, e a problemas de aprendizagem. A auto-estima, ou seja, a capacidade que cada um tem de acreditar que vai conseguir conquistar seu espaço no mundo, é indispensável para uma vida sadia e plena. Essa, contudo, não é uma capacidade inata. Seus alicerces são solidificados na infância, a partir da interação das crianças, desde a mais tenra idade, com seus pais. Seguras, elas estarão preparadas para enfrentar dificuldades. Pais com auto-estima baixa influenciam negativamente as crianças, cuja personalidade também se desenvolve por meio da observação das ações dos outros. A auto-estima não é matemática única: é parte do desenvolvimento. A ela devem ser somadas motivação e disciplina. O cognitivo (capacidade de aquisição de um conhecimento) depende do afetivo. Ninguém nasce se auto-estimando. - É no olhar carinhoso do pai e da mãe, nos incentivos às suas ações, que as crianças constroem sentimentos positivos em relação a si mesmas. Sentindo-se valorizadas, elas serão seguras. - Importante destacar, porém, que o elogio permanente não é benéfico. Ele irá apenas solidificar uma auto-estima artificial, que impede os indivíduos de lidarem com frustrações. A saturação de reforços não permite à criança discriminar o certo do errado. É preciso saber dosar para não estimular a sensação de onipotência. - Reforço social (elogios) ou material – dinheiro, presentes, passeios – deve ser utilizado com bom senso. As crianças precisam ainda aprender que nenhum ser humano é hábil para todas as coisas. A escola é outro espaço de fortalecimento desse sentimento, que tem um paralelo muito próximo com a motivação. Os problemas de relacionamento no ambiente escolar vão ganhar maior ou menor vulto dependendo do quanto a criança atingida por eventuais agressões já desenvolveu sua auto-estima. Se esta estiver fortalecida, a criança aprenderá a se defender e a conquistar seu próprio espaço. Como, porém, ajudar a criança no desenvolvimento de sua auto-estima se o convívio com seus filhos é cada vez menor? O caminho não passa por reforçar o sentimento de culpa de pais que necessitam trabalhar. Por mais que o tempo dedicado às crianças seja limitado, o que importa é a qualidade desse relacionamento, e isso inclui a participação em brincadeiras e o esforço em reservar alguns minutos diários para uma conversa com as crianças, ouvindo o que elas têm a dizer. Esse contato é indispensável ao desenvolvimento sadio da auto-estima dos filhos. E um largo passo para a garantia de um futuro mais feliz. Fonte: Alessandra Sapoznik Holcberg <!--[if !supportLineBreakNewLine]--> <!--[endif]-->
TEXTO – MÊS DE SETEMBRO/2009 “Bons modos se aprende em casa” Desde cedo é possível ensinar aos pequenos regras de conduta que os acompanharão por toda a vida. Dar o exemplo, nesse caso, é tão importante quanto falar. As crianças adquirem boas maneiras imitando os adultos. O que observam os pais e irmãos mais velhos fazer, dizer ou omitir será o roteiro de seu comportamento. A forma de comer, de se vestir e de se expressar sentimentos são sinais sociais que revelam o que se aprende em casa e que podem mais tarde facilitar ou dificultar as relações em família, com os amigos e no trabalho. A educação deve incluir não só o que diz , mas também o que se faz. Não adianta a criança pedir licença e não saber respeitar a fila ou ter o hábito de empurrar quem está na frente. De palavra em palavra Aos 2 ou 3 anos, ela já pode aprender a dizer por favor e obrigado de forma natural e tranqüila . Não se deve obrigá-la a isso nem deixá-la envergonhada na presença dos outros. Quando ela interrompe uma conversa, você deve alertar: “Um minuto, por favor, tem alguém falando”. É comum nessa idade, repetir palavrões, pois para ela todas as palavras podem ser ditas. Procure não demonstrar que achou graça, porque ela vai insistir no palavrão mais tarde, e se surgir o momento explique à ela o porque não se deve falar ou usar os palavrões. Nessa idade, ela pode se espantar ao se deparar com deficientes físicos. Explique que fazer comentários sobre as diferenças entre as pessoas pode deixá-las chateadas, e que estas pessoas não são melhores ou piores do que ninguém, são apenas diferentes em alguma coisa. Das crianças com 5 ou 6 anos, já é possível cobrar um tom de voz adequado na hora de pedir algo. Elas devem aprender a se desculpar quando fazem algo errado. Devem também saber agradecer ao receber presentes e gentilezas. Se não for possível pessoalmente, podem fazê-lo por telefone ou por meio de um bilhete ou cartinha. As mais velhas devem acostumar-se a apresentar seus amigos: “Mãe, gostaria que você conhecesse o Paulo”. Também deverão levantar para cumprimentar um adulto, olhar para a pessoa ao ser apresentadas, abrir a porta e oferecer o assento aos adultos . Com estímulo é melhor É mais fácil ensinar os modos à mesa quando você faz as refeições com elas. Por volta dos 5 anos, podem entender regras simples, como sentar corretamente, colocar o guardanapo no colo, comer de boca fechada e pedir licença ao levantar. Selecione uma ou duas boas maneiras para ensinar de cada vez. Tenha objetivos razoáveis e seja flexível. Não é grave relaxar um pouco nos momentos em que a criança e você estiverem casadas. Comer fora é uma boa oportunidade para praticar o que está sendo aprendido. Faça elogios, sempre que possível: “Você foi muito educado durante o jantar na casa da vovó. Gostei do jeito como você pediu licença quando saiu da mesa”. Leve em conta que as crianças esquecem as boas maneiras se estão sentindo-se frustradas, cansadas ou com raiva. Aprender exige tempo, paciência, dedicação e amor. É muito importante ter calma, e lembrar os bons modos todos os dias, pois as crianças aprendem com a repetição, com a rotina e com o exemplo de quem as rodeia. Para nós, adultos, vale lembrar que é mais fácil estabelecer e cultivar bons hábitos do que romper com os maus. Christiane Regina P. O de Almeida Claudia – Educar bem TEXTO – MÊS DE AGOSTO/2009 "Pedido de uma criança a seus pais" Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais seguro. Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês. Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado. Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular. Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes, eu preciso aprender pelo caminho áspero. Não levem muito a sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer. Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem. Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada. Não ponham à prova a minha honestidade. Sou facilmente levada a dizer mentiras. Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria d'Ele. Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa. Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês. Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los. Não digam que não conseguem me controlar. Eu me julgarei mais forte que vocês. Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser. Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância. Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesmo. Não queiram me ensinar tudo. Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo a vocês e aos outros. Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo. Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.
TEXTO – MÊS DE JULHO/2009 "É preciso ter autoridade" Ser pai nos dias de hoje não é fácil. O mundo está cheio de opções, e até tarefas aparentemente simples, como escolher um tênis para presentear o filho, são complexas. Trinta anos atrás existiam apenas cinco marcas. Hoje são dezenas. Na hora de comprar o calçado, o pai precisará avaliar se ele será usado para correr, para andar no mato, para sair à noite ou para jogar basquete. Precisa lembrar se o filho pisa com o joelho virado para dentro ou para fora, se a perna de impulsão é a direita ou a esquerda. Esse enorme leque de opções se repete no processo de educação e formação do adolescente. Os pais têm de enfrentar desde a escolha do modelo de escola ideal até o dilema de deixar ou não a namorada dormir no quarto dele. A boa educação, hoje, implica ter posição formada sobre cada um desses assuntos. As variáveis são tantas que os pais precisam ser extremamente cuidadosos para que a postura adotada com relação a um aspecto da vida do jovem não entre em contradição com a adotada em outro. Nesse ponto, a conduta no que se refere aos filhos é como um bambu. Ele pode ser vergado para cá e para lá ao sabor das mudanças - mas não pode ser quebrado a toda hora. Um aspecto crucial na educação é a autoridade. Muitos pais temem perder o amor dos filhos se forem firmes nas regras e nas cobranças. Todo mundo sabe que adolescente contrariado é encrenca na certa. Como uma criança birrenta, ele reclama, briga e faz escândalo, dentro de uma escala proporcional a seu tamanho. Nesse ponto os pais não podem ceder. Precisam estar conscientes de que, como todo mundo, os jovens não dão afeto a pessoas que não respeitam. Se os pais forem omissos e ficarem quietos por medo de perder o amor do filho, correm o risco de se ver menosprezados e ignorados. Aí o afeto e a cumplicidade que eles queriam preservar acabam se esvaindo completamente. Um pai ou uma mãe que engole os próprios princípios e se cala a cada malcriação dá um atestado de que não se respeita e os filhos entendem isso como um sinal para que não o respeitem também. Engolir sapo significa deseducar com grande probabilidade de estar criando um pequeno tirano dentro de casa. Exercer autoridade de pai e de mãe exige sabedoria. Os limites precisam ser sempre colocados em função de algo e exercidos visando ao bem-estar de toda a família. Necessitam estar a serviço da qualidade de vida e da educação do filho. Nunca de um capricho. Muitos pais acreditam que dar o bom exemplo é suficiente, o que não é verdade. Sem uma determinação clara, os filhos não o perceberão e não o seguirão. No outro extremo, abusar de proibições e punições por si só também não funciona. Os filhos precisam aprender, e cabe aos pais ensinar. Se um filho não quer estudar, não adianta nada os pais se valerem de seu poder, trancá-lo no quarto e obrigá-lo a sair com a matéria decorada. O adolescente não vai estudar e pronto. Por outro lado, os pais podem negociar e dizer que ele vai poder sair, fazer o que quiser, desde que lhes explique o assunto que precisa estudar com suas próprias palavras. Ele terá então estimulo para se debruçar sobre os livros e até se abrirá um canal para que esclareça dúvidas com a ajuda dos pais. Muitas vezes o jovem não estuda simplesmente porque não entende a matéria. Esse é um bom exemplo em que a autoridade estaria sendo usada para a evolução do filho. A maioria dos pais, quando exerce autoridade, simplesmente proíbe o que o filho gosta de fazer. Na verdade, eles deveriam reorientar momentaneamente a energia que o adolescente gastaria numa atividade para outra. Sempre é possível mudar para melhor. O filho pode ser o folgado que se apóia no sufocado. Nesse caso, a mudança tem de vir do sufocado, pois, se estiver bom para o folgado, ele irá querer ficar nessa posição para todo o sempre, amém! O ser humano é o único que pode mudar sua história, pois tem inteligência e criatividade. Basta acrescentar a motivação. Içami Tiba
TEXTO – MÊS DE JUNHO/2009 “Dizer não e dar limites” Postura de educadores é decisiva para estabelecer regras de comportamento O tema limites tem sido muito discutido atualmente nas escolas e nas famílias. Revistas e jornais também têm-se ocupado do assunto, especialmente pelo interesse que desperta na comunidade em geral. Isto tem ocorrido porque as crianças e adolescentes estão cada vez mais espaçosos e os adultos que lidam com eles – pais e professores – têm encontrado muita dificuldade para impor/determinar limites. Gosto muito da imagem topológica de limites, ou seja, do espaço no qual é possível agir e criar. Por que as crianças estão avançando este território? Por que os pais e professores têm tido dificuldade de manter suas posições? Dão-se conta do seu papel na educação das crianças e adolescentes, da dimensão desta responsabilidade? A vida atribulada dos pais, a necessidade de estarem muitas horas ausentes de casa e a melhor opção na escolha dos cuidadores substitutos – avós, babás, creches – têm sido alguns dos motivos desta dificuldade, porém o que mais se observa é a falta de conhecimento e de posições claras a respeito da educação e do desenvolvimento infantil. A entrada da criança no mundo moral – “o que devo ou não fazer” – se dá num primeiro momento por uma relação assimétrica de autoridade: o respeito à regra depende do respeito pela pessoa que a colocou. Num segundo momento, a criança pensa sobre a regra e lhe dá outro valor, respeitando quem respeita a regra. Outro aspecto importante é reconhecer a importância da rotina e da disciplina, bastante esquecidas no mundo atual. Elas são indispensáveis quando se pretende atingir determinada meta, auxiliam o desenvolvimento e a aprendizagem e permitem que as crianças percebam suas conquistas. Os pais e professores devem assumir que são a autoridade, sem medo deste papel, lembrando que são modelo de atuação, referência a ser seguida pela criança ou jovem. Assim, sua ação vale muito mais que o seu discurso e é preferível errar, reconhecer que errou e voltar atrás, do que se omitir. Não existem receitas prontas, a forma e a dose dependerão de muito fatores, especialmente dos valores, expectativas e crenças dos pais, porém vale compartilhar algumas reflexões e experiências que podem auxiliar pais e professores em situações que ocorrem no cotidiano. A sociedade atual Em relação à sociedade atual, alguns aspectos, como os indicados a seguir, devem ser levados em consideração.- Há uma crise de valores na sociedade atual com a conseqüente dificuldade em definir o que é certo e o que é errado, onde os adultos também não têm limites.- A moral de hoje não é a de esperar, conquistar: é a ética do aqui e agora, de fazer já, a qualquer custo. Valoriza o êxito, a possibilidade de vantagem e quem conseguir superar os outros.- Os pais são responsáveis por passar aos filhos uma ética e uma moral positiva, de que é bom ser generoso, tolerante, justo e humilde, por exemplo. Colocando limites Algumas atitudes favorecem a educação e a colocação de limites. Entre elas, podemos apontar a pais e educadores: - ter coerência; - ter convicção, sem transmitir mensagens confusas ou ambivalentes; - reconhecer e manejar com suas próprias diferenças (os pais) para que não haja a possibilidade da criança ou do jovem jogar com as duas posições ou ser motivo de desentendimentos entre o casal; - ter cuidado para não dar explicações muito longas ou repeti-las várias vezes, quando tem certeza de que a criança ou o jovem já as compreendeu; - ter certa tolerância das birras e acessos de raiva da criança; - evitar as condições, os se..., para que a criança não passe a negociar suas vontades com eu só faço se...; - ter presente que às vezes será possível negociar, tendo, porém o cuidado com os aspectos antes citados;- estimular, quando houver conflitos entre crianças, que os resolvam conversando, de forma que pos sam se ouvir e perceber os diferentes pontos de vista sobre a mesma situação; - ter a certeza de que o não e o limite justo só vão trazer segurança e alívio para o filho ou aluno. As crianças estão cada vez mais questionadoras e desafiadoras, não aceitando placidamente a colocação de regras e limites, provocando mais firmeza por parte dos adultos. É muito comum que façam coisas surpreendentes, exigindo uma iniciativa firme, segura e pontual dos pais e professores, ficando tranqüilas e aliviadas quando recebem o limite; - supervisionar os filhos/alunos, acompanhar suas produções, seu desempenho, valorizando suas conquistas e identificando dificuldade que precisam ser enfrentadas; - manter a parceria entre a família e a escola, o que favorece muito o desenvolvimento infantil: é muito importante trocar informações, fazer-se presente, confiar e intervir quando necessário; - colocar, em cada faixa etária, os limites de forma diferente, respeitando o nível de compreensão e as necessidades do bebê, da criança ou do adolescente. Atitudes a tomar E quando a criança não respeita as combinações/regras/limites, o que fazer? - As sanções são importantes quando se está precisando reforçar o não. Estão relacionadas ao ato transgressor da criança, sem muito exagero ou tolerância, como colar algo que rasgou ou quebrou, repor um brinquedo ou objeto que danificou, limpar o que sujou, ficar sem utilizar um material/jogo/brinquedo porque ainda não está conseguindo ter o cuidado adequado com o mesmo. É diferente do castigo, que pode dar à criança uma idéia de retaliação ou de que já pagou pelo que fez, estando livre para transgredir novamente. - Uma boa estratégia é procurar dar duas alternativas, mesmo que ambas não sejam boas para a criança, para que ela possa decidir, pois isto a tornará responsável pela decisão. - Nas situações mais difíceis é possível utilizar duas estratégias. Uma, cuja decisão dependerá da criança – quando tu achares que podes ficar ou participar legal de tal atividade, tu podes voltar naturalmente – ou, a critério do adulto – tu vais sair desta atividade, depois nós vamos conversar e eu vou decidir o momento em que vais poder voltar. Em ambas as situações é preciso deixar claro que atitude se espera dela, quais são as combinações ou regras. - Evitar a retomada de conversas sobre condutas inadequadas quando a criança está desorganizada, com Riva ou birrenta, pois ela não conseguirá conversar e refletir sobre a situação. Será mais produtivo esperar que a criança se acalme. É um desafio apresentar o mundo à criança, com suas normas e princípios, porém se fizermos com amor, coerência e respeito esta tarefa será um pouco menos penosa e viver em sociedade, bem mais prazeroso. Fonte: Clara Geni Berlim
TEXTO – MÊS DE MAIO/2009 Seus Filhos são Felizes? Noite dessas, num restaurante, uma senhora abordou-me suavemente e me perguntou se meus filhos eram felizes. Certamente estava indagando, em outras palavras, se, agindo de acordo com as minhas teses educacionais, descritas em meus livros e palestras, teria tornado meus filhos felizes.
De fato, os pais hoje, tenham filhos pequenos, adolescentes ou mesmo adultos, vivem se fazendo essa pergunta, a todo momento, todos os dias. Questionam-se, caso percebam ou desconfiem que os filhos não estão felizes, se a responsabilidade não seria deles: "onde foi que erramos?"
Muitos pais pensam que é dever seu fazer os filhos felizes. Mas alguém pode ser responsável pela felicidade de outro? Essa crença talvez explique por que tanta gente hoje tem medo de dizer não, de estabelecer limites. Talvez também por isso os filhos ganhem tantas coisas materiais, tantos brinquedos, tanta roupa!
Não seria mais plausível e justo pensarmos que a tarefa dos pais, não é FAZER os filhos felizes, mas sim criar condições para que seus filhos se tornem pessoas felizes? Uma infância tranqüila num lar com amor, equilíbrio, segurança contribui para isso. Mesmo em meio a um ambiente familiar favorável e positivo, porém uma pessoa poderá sentir-se infeliz, assim como também, num ambiente adverso, algumas crianças se tornam pessoas felizes e produtivas.
Não estou isentando os pais de suas insubstituíveis responsabilidades, determinantes para que a felicidade dos filhos seja possível. Pais que desrespeitam os filhos e a si próprios ou ao cônjuge, impedindo que as crianças desenvolvam um equilíbrio emocional básico, privam os filhos desenvolverem a CAPACIDADE de ser feliz. Os pais são os provedores de grande parte das condições objetivas (amor, segurança, alimentação, saúde, educação, justiça, limites, valores, etc.) a partir das quais cada indivíduo, dotado de livre arbítrio, escolhe seu caminho. No entanto, por mais que se dediquem a possibilitar o desenvolvimento harmônico dos filhos nos planos intelectual, emocional e físico, nunca podem lhes garantir a felicidade, porque quem decide se a vida será feliz ou não é o indivíduo, pela sua maneira de agir e reagir; pela capacidade de tolerar e amar; pelo desejo de aceitar o outro e, especialmente pela capacidade de se alegrar com tudo ou de se entristecer por nada.
Fonte: Tânia Zagury
TEXTO – MÊS DE ABRIL/2009 Família em primeiro lugar Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic.
O encontro foi na própria empresa, ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele. Seus olhos estavam estranhos, achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. Bobagem minha pensei, homens não choram, especialmente na frente de outros. Mas durante a sobremesa ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse lembrado dos impostos pagos no dia, impostos que ele sabia que nunca seriam usados para o social. "Minha filha vai se casar amanhã", disse sem jeito, "e só agora a ficha caiu. Eu fui um tremendo de um workaholic e agora percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo a minha empresa e me esqueci de me dedicar à família." Voltei para casa arrasado. Por meses eu me lembrava dessa cena patética e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim. Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição ética tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que lhe dirão para colocar em primeiro lugar os outros - a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família. Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família, e a saída salomônica é afirmar que dá para fazer ambos. Será? O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo à peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho. Ele se atrasou justamente porque tentou "conciliar" trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada. Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo, teria levado pessoalmente a criança ao evento, teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo. A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de "conciliar" família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar, muito antes das inevitáveis crises, quem você prioriza e coloca em primeiro lugar. Você não terá de tomar difíceis decisões de lealdade na última hora, pois a opção já terá sido previamente discutida e emocionalmente internalizada. Na época pensava deixar de ser professor da USP, apesar do ambiente tranqüilo e dos três meses de férias que a carreira proporcionava. Mas aquele almoço me fez ficar, para desespero de meus alunos. Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: "Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar". Qual o verdadeiro "sucesso" de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia? De que adianta fazer uma fortuna para ter de dividi-la pela metade num ruinoso divórcio e pagar pensão à ex-esposa para o resto da vida? De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar na sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha? Os leitores que ficaram indignados porque não tiro férias podem ficar tranqüilos. Eu só não tiro férias aqui da Veja, como a maioria dos colunistas. Fonte: Revista Veja
“ Só o ensino cristão pode cultivar o verdadeiro bem-estar, a verdadeira felicidade da sociedade, da família e dos indivíduos. Só ele pode cicatrizar as feridas produzidas em nossa atual sociedade, por tantos erros e absurdos difundidos por aqueles que, presos a uma visão materialista, crêem que o mundo pode viver sem Deus, sem fé, sem esperança e sem caridade.” Padre Zegrí |